O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

O sonho dourado de Rafaela

Rafaela Silva é medalhista. E sua conquista valeu ouro. Um ouro olímpico. Um ouro que é dela e só dela.

O Brasil brada aos ventos que esse ouro de Rafaela é seu. Mas não lhe pertence, em verdade, esse mérito olímpico.

O ouro a que nos referimos é o ápice da batalha brutal a que se expôs a judoca durante uma vida.  Uma conquista que traduz a garra de uma mulher ignorada por todo um País durante anos. Essa mesma judoca que caiu no ostracismo após não haver triunfado nos Jogos de 2012, em Londres.

Sabe alguém dizer se Rafaela tinha o que comer há 2 anos? Se sua mãe e pai são vivos? Se sua irmã é frequentemente estuprada em vielas obscuras de regiões favelizadas? Alguém se importa com Rafaela? Alguém?

A hipocrisia que impera em nossa sociedade é de dar asco.

Os Jogos Olímpicos de 2016 não terão o condão de alçar o Brasil à condição de potência econômica, social ou esportiva. Eles marcam, isto sim, o triunfo dos interesses midiáticos e capitalistas sobre as reais necessidades do povo.

Já nos acostumamos a ver pessoas fenecendo no chão de hospitais enquanto arenas multimilionárias são erguidas para abrigarem o evento esportivo em apreço.

No mesmo momento em que uma partida de tênis é disputada em frente a olhares aristocráticos, dezenas de crianças são assassinadas nas periferias do Rio de Janeiro.

Mas... isto tem importância?

Não, o que realmente tem relevo é ouvir a narração de um Galvão Bueno, cujos gritos emocionados dão conta de que uma jovem negra, pobre e de duríssima história de vida agora é medalhista de ouro no Judô.

Quem se importa com Rafaela Silva?

O Brasil merece o último lugar geral no quesito respeito ao povo. O ouro de Rafaela não é nosso. É dela. É integralmente dela. É somente de Rafaela, que encarna o drama da mulher paupérrima, negra, humilhada, mas que, por dar a uma bandeira uma medalha de ouro, passa, do dia para a noite, a existir como pessoa, sendo repentinamente venerada por quem sequer conhecia sua existência.

Está escancarado o oportunismo olímpico em terras pátrias.

Aprendamos, pois, a dar o devido valor ao povo desde a raiz, desde o início, desde o momento em que ele vem ao mundo.

O povo merece infinitas medalhas de ouro pela luta que trava contra o mundo, que só o enxerga quando lhe traz benefícios de qualquer sorte.

Salve, Rafaela Silva. Celebre o ouro: ele é só seu.

A necessidade de pragmatismo

O Brasil está em festa! Mas de qual Brasil nós estamos falando?