O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Verbas publicitárias e censura

Diversos blogs e sites de esquerda iniciaram ao longo da última semana uma campanha organizada para denunciar uma suposta censura que estaria sendo imposta pelo governo provisório de Michel Temer à chamada “mídia alternativa e progressista”.

Em dois artigos intitulados DENÚNCIA I e DENÚNCIA II, a Carta Maior aponta que os contratos de publicidade com a administração federal no valor de 12 milhões de reais por ano teriam sido suspensos. Tal medida, segundo o blog, representaria uma verdadeira tentativa de cercear a liberdade de expressão no país. 

Esses protestos foram replicados por diversos outros sites dependentes de verba estatal, tais como Conversa Afiada, Jornal GGN, Brasil247 e Diário do Centro do Mundo.

Um dos principais argumentos destas publicações é de que o valor destinado aos sites de esquerda representaria apenas 0,6% do orçamento da Secretaria de Comunicação Social, órgão responsável pelo gerenciamento da publicidade do Governo Federal. 

Ora, um erro não justifica o outro.

Em um país com tamanhas desigualdades e deficiências como o Brasil é uma piada de mau gosto direcionar quase dois bilhões de reais por ano unicamente para propagandas governamentais, a maior parte com nítido viés político-eleitoral.

Pessoalmente, dada a atual situação econômica do país, acredito que o corte deva ser mais profundo do que o já realizado, atingindo também valores repassados à chamada mídia tradicional em proporções mais significativas do que vem ocorrendo. Propaganda estatal deve ter o único objetivo de alertar a população para eventuais riscos ou chamar a atenção dos brasileiros para questões efetivamente importantes e não para divulgar obras ou entregas de residências do programa "Minha Casa Minha Vida".

No caso da Carta Maior, a "denúncia" destacada acima aponta que o blog receberia "parcos" 53,6 mil reais mensalmente de Brasília.

Ora, considerando que logo após o fechamento das torneiras das verbas publicitárias estatais este mesmo site já iniciou campanha visando obter financiamento de seus leitores, chega-se à conclusão de que os 50 mil mensais não são tão irrisórios assim.

O fato é que se tais publicações possuem de fato a audiência e a relevância que alegam ter, certamente encontrarão um meio de financiamento direto ou através de anúncios de empresas e entidades privadas. 

Censurar configura proibir peremptoriamente a circulação de informações, o que muito difere de simplesmente deixar de direcionar dinheiro público para campanhas publicitárias. Ainda que eventuais dificuldades financeiras possam decorrer da medida tomada pela administração Temer, nenhuma das publicações aqui citadas estão proibidas de veicular suas ideias.

Absurdo, portanto, se invocar a palavra “censura” neste caso.

 

Ceteris Paribus: a brecha dos ortodoxos.

Café com Politik #2