O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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O Governo Temer e a CLT

Não há dúvidas que o país continuará dividido com a ascensão de Michel Temer à Presidência da República. As dificuldades econômicas não desaparecerão como em um passo de mágica. A paralisia política enfrentada pelo país, entretanto, pode começar a ser dissipada, o que abre espaço para a discussão de reformas que possam trazer de volta a confiança para se investir no Brasil

Inviável esperar uma oposição construtiva por parte dos grupos até então no poder ou de entidades como CUT e MST, que serão sempre contrários ao que for proposto pelo novo Governo, independente da validade e coerência das propostas, assim como o PT foi contra a Constituição de 1988 e o Plano Real. A frente de esquerda no Parlamento fará todo o possível para dificultar a governabilidade, mas não terá força suficiente para barrar projetos e reformas que demonstrem ser importantes para o Brasil, especialmente se tais proposições ganharem o apoio de setores estratégicos da sociedade civil.

Em artigo anterior, apontamos algumas reformas que julgamos essenciais para o futuro do país. Certamente existem outras tão importantes quanto, boa parte delas que poderão se demonstrar impopulares. O fato de Temer já ter dado indícios que não irá se candidatar à presidência em 2018 abre uma janela de possibilidade de que reformas consideradas politicamente complexas possam ser aprovadas.

Cito como exemplo a flexibilização das regras da CLT, ponto essencial para a ampliação da competitividade do Brasil no mercado internacional e que talvez seja a proposição mais combatida pela esquerda militante.

Um dos objetivos de uma reforma nas leis trabalhistas deve ir no sentido de valorização do trabalhador mediante maximização de sua remuneração mensal em detrimento do recolhimento para fundos que alegadamente objetivam sua proteção, mas que em muitos casos não lhe trazem qualquer benefício palpável. Não tenho dúvidas de que a maior parte dos brasileiros iria preferir uma valorização real de seu salário, ao invés de ter quase 50% de sua renda canalizada para os cofres públicos de forma pouco controlada e, na maior parte das vezes, desconhecida. Uma redução da tributação incidente sobre a folha de pagamento também permitirá que as empresas tenham mais recursos para investimentos e novas contratações.

A matemática simples: se cada empregado custa em média 50% além do seu salário para os empregadores, em uma empresa com 100 funcionários, a redução dos gastos associados ao contrato de trabalho em, digamos, 80%, permitiria um potencial de novas contratações da ordem de 40 trabalhadores. Mesmo que a empresa não contrate tantos novos colaboradores, certamente esta redução de gastos associada à uma valorização salarial teria um impacto extremamente positivo na economia e estimularia, além da geração de empregos diretos, a ampliação dos investimentos e da inovação. Menos dinheiro nas mãos do Estado, mais dinheiro nas mãos da sociedade civil. É o que o Brasil precisa.

Além da redução do custo de contratação e manutenção do emprego em nosso país, há espaço e urgência para rediscussão das regras de terceirização, aposentadoria e previdência. Tais reformas, aliadas à uma revisão de nosso sistema educacional, como aqui também já defendido, podem ser o pontapé inicial para um aumento de produtividade e ampliação da competitividade que possibilitem o desenvolvimento sustentável do Brasil ao longo das próximas décadas.

 

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