O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

A perda da capacidade de diálogo e comprometimento

Em entrevista dada no final de semana ao programa Fox News Sunday, o presidente americano Barack Obama declarou que um dos maiores problemas do cenário político daquele país é a falta de interação e debate entre diferentes correntes políticas. Forças de esquerda e de direita raramente deixam a zona de conforto propiciada pelos jornais, blogs e revistas que se posicionam de forma semelhante às suas próprias convicções. Não há, portanto, diálogo significativo entre grupos com posições opostas e qualquer iniciativa de debate por parte de políticos com backgrounds distintos é visto como um comprometimento e uma verdadeira traição ideológica.

O mesmo se passa no Brasil.

Os mais à esquerda apontam jornais e blogs com linhas conservadoras como sendo publicações venais e pouco confiáveis e aqueles que se identificam como liberais ou de direita, do mesmo modo, são uníssonos em apontar o caráter parcial dos chamados blogs sujos, muitas vezes receptores de verba publicitária oriunda do Governo Federal e de estatais.

Pessoalmente, acredito que não deve haver zona de conforto quando se trata do debate de proposições com potencial impacto na vida de milhões de pessoas. Parcialidade, assim como a capacidade de ler e ouvir opiniões alheias, é algo desejável no contencioso de ideias e ideais.

A leitura de conteúdo que siga uma linha de pensamento diferente e a interação com pessoas que possuam pontos de vista dissonantes apenas enriquece a nossa capacidade de entender e explanar o mundo em que vivemos. Os momentos de maior aprendizado são justamente aqueles em que confrontamos nossas próprias convicções com a leitura de um livro tido por antagônico ou através do debate respeitoso com alguém oriundo de outro espectro político-ideológico.

Do mesmo modo, dialogar, negociar e, em alguns casos, ceder ao outro é algo que deveria ser considerado normal não apenas na política, mas também em todos os meandros de nossas vidas. Apenas uma criança mimada acredita que pode ter tudo o que quiser, sem abrir mão de nada.

Precisamos recuperar a capacidade de diálogo e negociação. Isto vale pare republicanos e democratas, cristãos e muçulmanos, socialistas e capitalistas e flamenguistas e vascaínos. Só assim evoluiremos como civilização humana e deixaremos um mundo melhor para nossos filhos e netos.

Patrulhamento ideológico

Liderança amarga