O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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No Olho do Furacão

Em um momento de grave crise institucional, onde escândalos dos mais diversos tipos pipocam diariamente no noticiário, fica cada vez mais difícil analisar o futuro do nosso país de uma forma estratégica. Como colocar as coisas em perspectiva, quando praticamente todas as lideranças políticas parecem atoladas até o pescoço com delações e acusações?

Michel Temer, Lula, Eliseu Padilha, Renan Calheiros, Jorge Viana, Gleisi Hoffmann, Aécio Neves, José Serra, Jaques Wagner, Geraldo Alckmin. A lista do propinoduto e do caixa dois é longa e atinge praticamente toda a elite política brasileira. Em um cenário de terra arrasada, quando ainda nos encontramos no fosso da crise econômica, quais são as perspectivas para a recuperação e para a retomada da confiança?

Em primeiro lugar, é preciso deixar que o Poder Judiciário e o Ministério Público façam o seu trabalho. Isto significa dizer não apenas que investigações como a Lava-Jato devem prosseguir, mas que garantias constitucionais como presunção de inocência, contraditório e ampla defesa não devem ser ignoradas. O fato de este ou aquele político ter sido incluído em uma delação premiada não é juridicamente suficiente para uma condenação automática, independente do que professa a corte da opinião pública. Isto vale para todos, incluindo Lula e Michel Temer.

Mais do que segurança jurídica, esta condição representa a efetivação de direitos básicos e, neste caso, possibilita a manutenção da governabilidade em um contexto nacional. O que menos precisamos nesse momento é de anarquia, caos generalizado e implosão da capacidade de gestão estatal. Não estamos longe deste cenário.

Um país só pode ser bem-sucedido, se os projetos de relevante interesse nacional se sobreponham à eventuais modificações, por vezes traumáticas, nas estruturas de poder. As conquistas ou propostas de uma administração não podem ser sabotadas com a ascensão de um grupo rival. Do contrário, o país andará em círculos e nenhuma medida estruturante de longo prazo será efetivamente implementada.

É o que tem acontecido com o Brasil.

Em que pese o relativo sucesso em certas áreas, as administrações do PT nunca deixaram de atacar as medidas de liberalização econômica realizadas durante a gestão de FHC, ainda que os efeitos positivos da privatização em setores como telecomunicações sejam inegáveis. Apenas recentemente se voltou a discutir a viabilidade de projetos de concessão e privatização sem que tais medidas fossem vistas como verdadeiras condutas de lesa-pátria.

O fato é que não temos tempo a perder. Com o envelhecimento acelerado de nossa população, dificilmente voltaremos a ter condições de ampliar a nossa produtividade como agora. Considerando que estamos vivendo uma nova década perdida, temos que concentrar todos nossos esforços para recuperar a confiança e reencontrar a estabilidade política necessária para que a próxima década catapulte o Brasil para o tão sonhado desenvolvimento.

Isto só será possível, entretanto, com profundas reformas de natureza econômica, política e educacional. Nesse sentido, considero a chamada PEC 55 e a reforma da previdência projetos controversos, mas que, na essência, atacam problemas que devem ser enfrentados o quanto antes. Com a aprovação destas medidas, espero que em um futuro próximo a dissolução da tempestade jurídico-política-econômica atualmente vivenciada permita um a emersão de propostas essenciais como a simplificação de nossa estrutura tributária e a renovação dos paradigmas educacionais atualmente em vigor.

A revolução tupiniquim

Nem sempre uma imagem vale mais que mil palavras