O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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Nem sempre uma imagem vale mais que mil palavras

D. PADGURSCHI FOLHAPRESS

D. PADGURSCHI FOLHAPRESS

Como já se tornou costume no Brasil, tivemos mais uma semana conturbada no mundo político. A polêmica envolvendo o afastamento, que no final das contas sequer aconteceu, do Presidente do Senado Renan Calheiros, novas informações sobre a delação de ex-executivos da Odebrecht, envolvendo até mesmo o Presidente da República Michel Temer, e a apresentação da controversa proposta de Reforma da Previdência elaborada pelo governo dividiram a atenção da mídia… Mais uma vez, não faltou notícia em Brasília. Mesmo assim, com esse prato cheio, esse menu recheado de histórias palpitantes, resolvi falar sobre um assunto que, ao menos em tese, é muito menos relevante, mas que gerou muita polêmica e me causou um enorme incômodo.

Não há uma pessoa sequer no país que não tenha visto a foto do Juiz Sérgio Moro conversando com o Senador Aécio Neves (PSDB-MG). Tirada durante um evento promovido pela revista IstoÉ, a foto rapidamente se espalhou pelas redes sociais e provocou as mais diversas reações. Moro, que já é frequentemente acusado por algumas correntes políticas de agir de forma parcial, mais uma vez foi duramente criticado e se viu em meio de uma polêmica desnecessária. 

Uma das principais virtudes de um magistrado é a discrição. Proceder de maneira sóbria, reservada e prudente, é fundamental para o bom exercício da profissão, assim como evitar qualquer tipo de suspeita quanto a lisura de seus atos. Não pode haver margem a dúvida. Algo como a famosa frase do imperador romano Júlio César, dita ao justificar ter se divorciado de sua esposa Pompéia Sula, mesmo sabendo que ela não o havia traído: “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.

Sérgio Moro foi imprudente. Deu armas ao seu inimigo. Se colocou em uma situação desconfortável e como já disse, desnecessária. Mas qualquer afirmação além disso, não passa da mais pura leviandade. Deduzir que a troca de algumas poucas palavras com Aécio, em um evento público onde os dois eram convidados, é indicativo de atuação parcial por parte do juiz, beira ao ridículo. Qualquer tipo de atuação imprópria por parte do magistrado, mesmo que existisse, e não há nada que indique essa existência, certamente não se daria em meio há um evento repleto de jornalistas e fotógrafos. E ainda que eles não se importassem com isso, e de fato estivessem tramando algo, isso não teria grande relevância, pois, embora o senador mineiro seja investigado pela Operação Lava Jato, todo o seu processo corre no Supremo Tribunal Federal, muito longe das mãos de Moro e por isso, completamente fora de sua alçada.

Acusações irresponsáveis como essas, que tentam desmerecer seu trabalho e abalar sua credibilidade, tem como único objetivo comprometer o processo, hoje nas mão de Moro, que tem o ex-Presidente Lula como réu, e assim livra-lo do seu provável destino na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Por isso mesmo, essa situação deve servir de alerta. Durante sua atuação no processo da Lava Jato, o juiz tem lidado com gente muito poderosa e por isso tem colecionado inimigos. Seu nome encontra-se em evidência. É fundamental que a partir de agora, Moro tenha cuidado redobrado para evitar situações como as dessa semana. Mais do que nunca é necessário não só ser honesto, como parecer honesto...

No Olho do Furacão

Algumas considerações sobre o contexto político atual