O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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A lógica ideológica por trás da idéia de "golpe", n° 2

Na noite de ontem (sexta-feira), milhares de pessoas se reuniram, por todo o país, em manifestações de repúdio ao governo do Presidente em exercício, Michel Temer, e exigindo a volta da Presidente afastada Dilma Rousseff. A maior concentração de pessoas ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, onde mais de 100 mil pessoas, segundo os organizadores (A Polícia Militar ainda não divulgou estimativa), compareceram ao ato organizado por centrais sindicais e movimentos sociais. O evento teve a presença do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que discursou para os presentes e foi ovacionado.

Dessa vez, a tônica das manifestações, além da já tradicional "defesa da democracia", foi a crítica veemente às medidas que Michel Temer vem adotando para combater a crise econômica. Os manifestantes atacaram a agenda liberal do novo governo, denunciaram retrocessos sociais e defenderam em especial a manutenção dos direitos trabalhistas. Mais que uma defesa do mandato de Dilma Rousseff, os atos se caracterizaram pelo ataque ao Presidente em exercício. Diante disso, fica a seguinte questão: Fosse Michel Temer, um líder identificado com os ideais de esquerda, será que essa gente estaria indo as ruas denunciar o tal "golpe"?

Basta uma rápida batida de olho nas imagens dos atos de ontem para traçar o perfil do público presente. Camisas vermelhas, bandeiras do PT e do PCdoB, bonés do MST e balões da CUT e de outros movimentos sociais, compunham o visual das manifestações de norte a sul do país. Pelo que se viu, não havia nenhuma diferença dos tradicionais comícios petistas na época de eleições. Sendo assim, chegamos a uma constatação simples e óbvia: A absoluta maioria ali presente era composta de eleitores de Dilma, do PT ou de outros partidos de esquerda.

Pode parecer irrelevante, mas esse dado, revela o caráter estritamente ideológico de tais atos. De fato, pode até haver alguma preocupação com a democracia, mas o principal descontentamento dos opositores do impeachment, são as posições do novo governo, completamente antagônicas às da Presidente afastada. Não resta dúvida então que se Temer fosse membro de um partido de esquerda, tais manifestações não estariam acontecendo dessa maneira.

Mais uma vez, insistimos que a tese de "golpe" não passa de um mero factoide, que visa atribuir um traço de ilegalidade a um processo que transcorre de acordo com o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). É uma tentativa desesperada de mascarar o caráter unicamente político dos atos de defesa do governo de Dilma. Atos que, diga-se de passagem, são legítimos, mas que através do discurso do "golpe" perdem por completo a conexão com a realidade, e por consequência, a própria credibilidade.

Estupidez sem fim

A homofobia, a cristofobia e a falta de bom senso