O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

Imaginem

Donald Trump foi eleito presidente da maior potência política, econômica e militar do mundo.

Desde antes de ser nomeado como candidato à presidência pelo partido republicano, Trump já nos indicava algo assustador. 

Ele disse que construiria um muro entre os Estados Unidos e México, pois a América Latina só mandava “pessoas problemáticas” para os Estados Unidos (como drogados, assassinos etc.). Ele disse que expulsará, sumariamente, qualquer imigrante ilegal que esteja em território estadunidense. Ele disse que intensificará o controle de entrada de muçulmanos no país. Ele disse que sairá da OTAN para ter “mais” (como se já não tivesse o bastante) liberdade de ações militares contra os países inimigos dos Estados Unidos.

Donald Trump adota o que há de pior na política.  

Donald Trump é um radical do confronto e um negador da conciliação. 

Um escritor barbudo alemão que eu gosto muito, disse, entre 1845 e 1846, num livro chamado “A Ideologia Alemã”, o seguinte:  

“A estrutura social e do Estado provêm constantemente do processo de vida de indivíduos determinados, mas desses indivíduos não como podem aparecer na imaginação própria ou alheia, mas sim tal como realmente são, quer dizer, tal como atuam (...) A produção de idéias, de representação, da consciência, está, em princípio, imediatamente entrelaçada com a atividade material e com o intercâmbio material dos homens, com a linguagem da vida real”. 

O que o barbudo alemão está nos dizendo é que é a vida material que determina a produção de idéias ... e é justamente isso que me assusta. 

Ou seja, todo o discurso de Donald Trump está amparado em relações reais da vida dos cidadãos e cidadãs estadunidenses. 

A xenofobia, o racismo, a idéia de “seres mais evoluídos” está, de fato, dominando o tipo de relação social que os Estados Unidos estão construindo internamente.  

Eles não querem os “outros”. 

Eu sei que muito desse discurso pode ter sido pirofagia eleitoral. Eu sei que ele pode não construir tal muro (ele pode argumentar que se tratava de uma figura de linguagem para apenas ser mais rigoroso no controle dos imigrantes e etc).

Eu sei de tudo isso.

Mas o fato é que os eleitores de Donald Trump vão esperar ações, mais ou menos firmes, no sentido da xenofobia, racismo e exterminação de qualquer tipo de “perigo” (seja social, político e econômico) avindo de fora e, de alguma forma, ele terá que atender a estas demandas, pois foi para isso que ele foi eleito. Caso ele não atenda a essas demandas, ele pode não se reeleger daqui a 4 anos (aqui no Brasil, com a Dilma, nós acabamos de ver como é perigoso um candidato se eleger prometendo uma direção e, ao assumir o governo, apontar para outra direção). 

Em 1971, ainda na Guerra do Vietnã, um músico escreveu algo que vai contra todo esse sentimento de “nós X eles”. Ele diz:

“Imagine que não houvesse nenhum país

Não é difícil de imaginar

Nenhum motivo para matar ou morrer

E nem religião também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz

Imagine que não há posses

Eu me pergunto se você pode

Sem a necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade de homens

Imagine todas as pessoas

Partilhando todo o mundo”

Imaginaram?  

Então, agora esqueçam.

Donald: trampolim para o inferno

Senhor Trump, derrube esse muro!