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A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

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O futuro político de Dilma Rousseff

Agência Estado

Agência Estado

Hoje, dia 10 de setembro, o impeachment de Dilma Rousseff completa 10 dias. Reeleita em 2014 para um segundo mandato como Presidente da República, ela não resistiu à grave crise política e econômica. Possuindo um índice de popularidade inferior a 10% e com sua base parlamentar esfacelada, Dilma foi destituída pelo Congresso Nacional em um conturbado processo que se arrastou por quase um ano. O desfecho era absolutamente previsível, mas ainda assim, o fim de seu governo não parece ter sido muito bem aceito por todos.

Como já era de se esperar, a militância petista, de outros partidos de esquerda, lideranças sindicais e outros movimentos sociais têm demonstrado relutância em reconhecer Michel Temer como novo Presidente do país. Protestos têm sido vistos em todo o Brasil, e embora seu engajamento não seja dos maiores, deve-se reconhecer a relevância de tais manifestações. Para um número significativo de brasileiros ainda há o entendimento que Dilma foi vítima de um golpe.

Ainda assim, o debate sobre a legitimidade do impeachment, embora válido, me parece pouco relevante agora. O processo está consolidado e é pouquíssimo provável que venha a ser revertido. Nesse momento o que importa é entender como funcionará a nova dinâmica da política brasileira. Quem são as forças que emergem? Quem são aqueles que saem enfraquecidos? O que esperar do cenário político até às próximas eleições presidenciais em 2018?

As manifestações contrárias ao impeachment e favoráveis ao antigo governo, podem levar a crer que Dilma Rousseff sai fortalecida, ao menos com sua base eleitoral. Beneficiada por uma controversa decisão de separar a votação do impeachment da cassação dos direitos políticos, Dilma, apesar de deposta, encontra-se apta a concorrer a qualquer cargo público. Se quiser, ela pode até mesmo concorrer a Presidência da República já nas próximas eleições. Entretanto isso parece ter pouquíssima relevância no quadro político do país.

Dilma, apesar de agora poder ostentar a Presidência da República em seu currículo, é uma figura insignificante da vida política brasileira. Sua aventura no Planalto, não passou de um devaneio do ex-Presidente Lula, que no auge de sua popularidade e de sua prepotência decidiu escolher como sua sucessora alguém que não ameaçasse sua condição de líder supremo dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). Seu currículo político medíocre, sua carreira inexpressiva como economista, sua fama de centralizadora e intransigente, além da sua total falta de carisma não foram empecilho para Dilma fosse eleita, mas desde sua vitória em 2010, ficava claro que sem o apoio de Lula e sem o uso indiscriminado da máquina estatal, Dilma não é ninguém.

A verdade é que os protestos contra o governo Temer são muito mais manifestações contrárias à sua suposta orientação mais conservadora, do que efetivamente uma defesa de Dilma. Fosse Lula ou Marcelo Freixo, o novo Presidente, não estaríamos vendo qualquer tipo de solidariedade a ex-mandatária. O fato que não se pode negar é que diferentemente de seu criador, Dilma não é líder de grupo político algum, não é representante de causa alguma e carece de identidade até mesmo com a base eleitoral que a elegeu por duas vezes. Com a poeira se assentando e com a eleição presidencial de 2018 chegando, o destino será implacável com ela. Provavelmente ninguém vai se lembrar de Dilma. Será como se ela nunca tivesse existido...

 

 

Café com Politik #3

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