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A homofobia, a cristofobia e a falta de bom senso

cruz

Na última terça-feira, dia 7, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto, de autoria do vereador Eduardo Tuma (PSDB), que cria o dia de combate a Cristofobia. De maneira simbólica, a data escolhida para marcar tal celebração foi 25 de dezembro, dia de Natal. A proposta agora segue para a sanção do prefeito Fernando Haddad, e caso não haja veto, se tornará parte do calendário oficial de eventos do Município.

Tuma, que é presbítero da Igreja Evangélica Bola de Neve, afirmou que o projeto "busca alertar a sociedade paulistana sobre a cristofobia, protegendo assim a liberdade de crença consagrada em nossa Constituição". Segundo ele, há um crescimento da intolerância religiosa no país, que tem se manifestado através de "desrespeito com   símbolos religiosos e xingamentos." O autor do projeto lembrou do caso da transexual Viviany Beleboni, que tanto na Parada LGBT deste ano, como na do ano passado, usou imagens cristãs em manifestação contra a homofobia.

A utilização desrespeitosa de símbolos religiosos é de fato algo de mau gosto e deve ser desencorajada. Em 2013, na chamada Marcha das Vadias, organizada por movimentos feministas, participantes quebram imagens de santos e introduziram crucifixos no ânus e na vagina em plena Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana. Foi um dos espetáculos mais grotescos e lamentáveis já vistos no Rio de Janeiro. Nada justifica esse tipo de atitude, que serve muito mais para agredir que efetivamente defender uma causa.

Em tese, toda iniciativa que vise combater qualquer tipo de intolerância e desrespeito ao credo alheio é justa e legítima. O que preocupa é o que pode haver por trás desse projeto e de outros projetos que podem vir a reboque. O cabo de guerra entre a chamada "bancada evangélica" e a comunidade LGBT tem se acentuado nos últimos anos, a medida que os direitos dos homossexuais vem sendo reconhecidos. É necessário que se fique atento, de modo a evitar possíveis retrocessos nesse sentido.

Qualquer tipo de extremismo ou de desrespeito a orientação sexual ou a opção religiosa é condenável. Precisamos de um pouco mais de bom senso de ambas as partes. Os evangélicos não precisam gostar dos homossexuais, não precisam aceita-los em sua Igreja ou em sua casa, mas devem reconhecer que perante a lei, eles tem absolutamente os mesmo direitos que os heterossexuais, inclusive o direito de casar, adotar crianças e formar uma família. Já os Grupos LGBT, devem demonstrar um pouco mais de respeito a crença alheia, e assim evitar a utilização de símbolos religiosos. Não custa nada...

 

A lógica ideológica por trás da idéia de "golpe", n° 2

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