O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

Seja bem vindo e, como tudo na vida, aprecie com moderação!

O cidadão de bem!

 

A hipocrisia da nossa sociedade é um fato engraçado!

Eu participei uma vez de uma palestra de uma delegada da delegacia da mulher sobre a Lei Maria da Penha. Foi interessantíssimo!

Eu me recordo nitidamente dela dizendo a respeito dos homens que apareciam para dar depoimentos respondendo a acusações de violência doméstica. A grande maioria eram homens bem vestidos, com empregos razoáveis e, até, que possuíam algum tipo de fé religiosa. O típico cidadão de bem!

A gente cresce com aquela imagem do homem pobre, alcoólatra, que chega em casa todo estropiado e bate naquela esposa, dona de casa, que não fez faculdade, teve os filhos com 15 anos e não pode largar o marido, senão "nunca vai ser alguém" e ainda poderá ser apontada por toda sociedade como a “mulher divorciada” ou “mãe solteira”.

O julgamento da sociedade dói mais do que as porradas que o marido lhe dá, então, por isso, ela aguenta apanhar cotidianamente. Em situações assim, o cidadão de bem afirma: “Paciência, né?! Ninguém mandou ela abrir as pernas para um bêbado desse!!!” Ninguém imagina isso acontecendo em uma família "tradicional”, pois numa família “tradicional” a mulher é estudada, é bem educada, tem berço e esse tipo de situação não acontece, mas ... E se acontecer? Se acontecer, olha que grave: a culpa é dela! Ela deve ter deixado o marido lhe sentar a porrada!

Por mais improvável que isso pareça, pois um marido de uma família “tradicional” também não costuma fazer isso. Até porque ele também é bem instruído, bem educado, tem pai e mãe (não separados!!!) e é ATÉ advogado!!! Pois é, mas esse é o homem padrão que bate, viola psicologicamente e até faz sexo com a esposa contra a vontade dela. Agora, vocês acham que uma mulher da típica “família tradicional” vai denunciar o esposo? Vocês acham que ela vai mesmo até a delegacia passar pelo constrangimento de um exame de corpo de delito? Explicar para os filhos que o pai é um opressor, violento e perigoso? Explicar para sua mãe e seu pai que ela casou, saiu de casa e agora está apanhando? Passar por uma situação desta em que as pessoas estão completamente despreparadas para ajuda-la ou para se colocar no lugar dela?

O problema é que na cabeça de muita gente a violência só existe no campo físico. No caso da violência contra a mulher, até quando a mulher já não está mais sentindo a dor de um soco, a violência continua. Continua porque a mulher está impelida a engolir o choro, esconder o roxo e seguir em frente. Afinal, quem de nós desconfiaria de um cidadão de bem?

 

Alessandra Tassi é mulher, enfermeira e feminista.

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