O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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FGTS e a perda de uma chance

Nas últimas semanas do ano de 2016, foi editada uma Medida Provisória pelo governo de Michel Temer que realiza algumas modificações no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS. Além da possibilidade de saque de contas inativas, o que viabilizaria uma injeção na economia da ordem de R$ 30 bilhões, a forma de atualização monetária do valor depositado foi retificada, permitindo um aumento no rendimento que até então era de pouco mais de 3% ao ano.

São boas alterações.

Ainda assim, é preciso analisar com mais cuidado o papel de mecanismos como o FGTS na economia brasileira.

O FGTS é usualmente qualificado como uma ferramenta que visa "proteger" o trabalhador e oferecer um colchão de segurança no caso, por exemplo, de demissão sem justa causa. Com a perda do emprego, o acesso aos depósitos realizados durante a vigência da relação de trabalho seria liberada.  Ainda que esta descrição não seja factualmente incorreta, existem mais elementos para serem analisados neste contexto.

A realidade é que fundos como o FGTS funcionam como mecanismos de confisco do dinheiro dos empregados, já que apenas em ocasiões especiais e bastante controladas é possível manejar a quantia depositada. Além de representar uma perda de liberdade para o cidadão, esta medida fornece uma conveniente fonte de financiamento estatal, o que talvez seja a principal razão da existência deste artifício.

Considerando que o Estado assume o papel de gestor de capital de boa parte da população, o cenário daí decorrente passa também por um esvaziamento de nosso mercado de capitais e da própria capacidade de discernimento e aprendizado dos brasileiros no que se refere à gestão financeira pessoal. Conforme noticiado recentemente, temos um dos piores índices do mundo de poupança privada. Isto muito se deve ao fato de que os salários são corroídos não apenas pela inflação e por conta do nosso sistema tributário disfuncional, mas também pela incidência de distintos fundos que retiram do indivíduo a possibilidade de melhor manejar suas finanças e fazem com que quase nada sobre no final do mês. 

Modalidade de investimento mais rentável de 2016, a Bolsa de Valores ainda passa longe de conquistar a merecida atenção dentre as camadas majoritárias da população. Considerando o rendimento médio de 40% no ano passado, a aplicação do percentual bloqueado no FGTS na Bovespa poderia ser, pelo menos, dez vezes mais lucrativa para o trabalhador, irradiando um efeito positivo na economia da ordem de dezenas (senão centenas) de bilhões de reais. 

Uma incrível perda de oportunidade de geração de riquezas, inovação e investimentos que é ocasionada pela crença de que o Estado tem melhores condições de administrar nosso patrimônio do que nós mesmos. 

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