O Café Politik surgiu do acirramento político ocorrido no Brasil em meados dos anos 10 do século XXI.

A eterna sina do país do futuro, que dá um passo pra frente, dois pro lado e um pra trás, nos motivou a criar um espaço para discussões políticas e econômicas sem o viés editorial imposto pelas grandes publicações.

Nossos redatores possuem backgrounds ideológicos distintos e estão totalmente livres para expor suas idéias, experiências e projeções astrais para o futuro da nação e do mundo.

Não temos a pretensão de convencer o leitor, mas de enriquecer o debate. 

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Uma questão de caráter

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No próximo dia 17, o ex-Governador do Rio, Sérgio Cabral Filho irá soprar as velinhas. Não, ele não fará aniversário, e a verdade é que o peemedebista tem muito pouco para comemorar. Completando um ano atrás das grades, respondendo a diversos processos e com a carreira política arruinada, Sérgio Cabral é o símbolo maior da decadência econômica, política e moral do estado.

Um estado que há não muito tempo atrás, sob a administração de Cabral, parecia estar entrando nos trilhos. Impulsionado pelo momento favorável da indústria do petróleo, setor mais importante da economia estadual e colhendo frutos de políticas públicas inovadoras e aparentemente revolucionárias, como as UPAs e as UPPs, o Rio se encheu de otimismo e em 2010 reelegeu Sergio Cabral ainda no primeiro turno com uma expressiva votação de 66%. Não é nenhum exagero dizer que, naquele momento, Cabral era um sério postulante ao Palácio do Planalto. O céu parecia o limite para ele...

Por que então ele arriscou uma carreira tão promissora a entrou para o mundo do crime? A certeza da impunidade? A convicção de poder viver uma vida dupla, de ladrão e de homem público?

A verdade é que Cabral jamais viveu tal dilema. Em nenhum momento ele teve que tomar uma decisão se arriscava ou não sua carreira. Essa decisão já estava tomada quando ele entrou para a política. Desde o princípio, na longínqua década de 90, quando ainda era deputado estadual e se destacava por seu discurso moralizador, volta e meia, Cabral já tinha seu nome envolvido em suspeitas e acusações de enriquecimento ilícito. Um prenúncio do que seria sua vida pública.

É evidente que o meio corrompido e a confiança na impunidade, o deixaram mais a vontade e as cifra envolvidas em seus esquemas cresceram de maneira exponencial. Entretanto a semente do mal já estava plantada muito antes e relativizar a gravidade dos crimes de Cabral é minimizar de alguma forma a sua responsabilidade.

O fator central da conduta de Cabral é inerente ao seu próprio caráter: ele exibe traços típicos de um sociopata. Algo que embora não se manifeste exatamente da mesma forma, não é tão diferente da natureza de assassinos perigosos. São sujeitos egocêntricos, arrogantes, que não demonstram empatia em relação aos outros e não transparecem qualquer sentimento de culpa quanto aos seus atos, mesmo tendo ciência do impacto deles.

Estima-se que Cabral somente no período que foi governador recebeu mais de R$ 200 milhões em propina. Isso sem contar com o que seus comparsas também levaram. Dilapidaram os cofres públicos e literalmente deixaram o estado quebrado. Hoje fornecedores não recebem do estado, servidores passam dificuldades com salários atrasados, hospitais e escolas funcionam de forma absolutamente precária e as ruas estão nas mãos dos criminosos.

Não defendo aqui uma caça as bruxas, mas é necessário garantir que a justiça seja feita. O dano que Sérgio Cabral causou a população do Rio de Janeiro é imensurável e por isso ele deve ser punido exemplarmente, assim como seus bens devem ser confiscados para cobrir parte do rombo que seu governo causou. Precisamos virar a página e começar a reconstrução do estado, mas sem jamais esquecer esse triste capítulo de nossa história. E que isso tudo ao menos sirva de aprendizado.

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